Muito se fala dele, mas poucos o compreendem verdadeiramente.

No setor TVDE, o algoritmo não é apenas um programa informático. Para muitos motoristas e operadores, ele tornou-se o verdadeiro “patrão invisível”, aquele que decide quem recebe a viagem, quanto o passageiro paga e quanto o motorista fatura por viagem.

Mas afinal, que “bicho” é este? E porque é que tantos profissionais sentem que estão a trabalhar para um sistema que não controlam?

O que é realmente um algoritmo?

De forma simples, um algoritmo é como uma “receita” para computadores. É um conjunto de instruções que diz ao sistema o que fazer e como tomar decisões baseado em informações que são recolhidos em tempo real ou previamente.

Nas plataformas de mobilidade, o objetivo dessa “receita” é resolver um problema: como ligar rapidamente um passageiro a um motorista da forma mais rápida, eficiente e lucrativa possível (para as plataformas, claro).

Para isso, o sistema analisa e cruza milhões de dados em tempo real, como:

Proximidade entre motorista e passageiro;

Histórico de aceitação, cancelamentos e conclusão de viagens;

Avaliações dos utilizadores;

Hábitos dos motoristas;

Previsão de procura em determinadas zonas

Quantidade de carros disponíveis no momento.

Com base nesses dados, o algoritmo calcula e decide quem recebe a viagem e qual o preço apresentado inicialmente.

A “Caixa Negra” do sistema

O grande problema é que ninguém fora das plataformas sabe exatamente como o algoritmo toma decisões. As regras mudam frequentemente, sem explicação clara e sem consulta prévia.

Isso cria situações que muitos motoristas reconhecem:

Preços que variam sem explicação e diferem de zona para zona;

Tempos estimados que ignoram o trânsito real;

Campanhas que incentivam a trabalhar mais horas;

Viagens abaixo do preço de custo.

As estratégias invisíveis que afetam os rendimentos

1. O “golpe” das viagens longas.

Parecem atrativas, mas muitas vezes apresentam um preço por quilómetro mais baixo do que viagens curtas.

2. A estratégia dos cêntimos

Pequenas reduções de 5 ou 10 cêntimos por viagem podem parecer insignificantes, mas ao longo de dezenas de viagens diárias podem representar perdas significativas ao final do mês.

3. O teste da resistência

O algoritmo aprende com o comportamento humano. Se muitos motoristas aceitarem viagens de baixo valor, o sistema continuará a oferecê-las e mesmo a baixar os preços de forma contínua.

Como podem os motoristas proteger-se?

1. Lembrar quem decide!

O algoritmo propõe a viagem, mas é o motorista que decide aceitá-la (ou não).

2. Não cair na “cenoura”

Um aparente valor alto nem sempre significa boa rentabilidade.

3. Conhecer os próprios números

Saber o custo real por quilómetro e por hora ajuda a tomar melhores decisões.

4. Registar dados reais

Comparar tempo estimado e tempo real pode ajudar a identificar padrões que dão prejuízo.

Conclusão

A tecnologia deve servir as pessoas. Enquanto o funcionamento do algoritmo permanecer pouco transparente, a melhor defesa dos profissionais será a informação e partilha da mesma, o conhecimento dos custos reais e a união no debate sobre o futuro do setor sem esquecer uma necessária intervenção legislativa que traga justiça e transparência para todos!

O Somos TVDE está atento e vai lutar por esclarecer a comunidade e o setor na proteção contra os algoritmos das plataformas!

Sem motoristas não há Serviços!


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